Eu tive uma discussão feia hoje. Foi com um assistente de IA. E, para minha humilhação profissional, eu estava errado. Não no conteúdo, mas na forma…
Tudo começou quando pedi um relatório. O que veio não era exatamente o que eu imaginava. Meu dedo indicador voou para o teclado e disparou, com a velocidade de quem está com a razão: “Isso não tem nada a ver com o que eu pedi! Está completamente errado!”
Para minha surpresa, a resposta veio calma e cristalina: “Peço desculpas por não ter atendido à sua expectativa. Para que eu possa corrigir, você poderia me especificar o que exatamente não está adequado? O tom, a estrutura ou o foco do conteúdo?”
Parei. Respirei. E, confesso, ri sozinha da ironia colossal. Ali, em minha tela, uma inteligência artificial estava dando uma aula prática de comunicação não violenta, gestão das emoções e gestão de conflitos – exatamente as mesmas lições que nós, da Mentorei, ensinamos em nossos treinamentos de liderança.
A tecnologia mais avançada do mundo estava aplicando à risca o protocolo que todo bom líder deveria seguir diante de um feedback negativo:
- Não levar para o lado pessoal – até porque, literalmente, não tem “um lado”
A IA não ficou na defensiva. Não deu uma desculpa (“é que o seu prompt foi confuso…”). Não revidou. Ela simplesmente aceitou o dado e partiu para a solução. Com gentileza. Quantas vezes, como líderes, nosso ego se mistura ao problema e transformamos uma crítica a um processo em um ataque à nossa pessoa?
- Pedir esclarecimentos, não supor intenções
Ela não presumiu saber o que eu considerava “errado”. Ela perguntou. Fez o que chamamos nos treinamentos de “checagem de entendimento”. “O que exatamente não está adequado?” é uma pergunta que desarma conflitos. Evita aquela espiral infindável de “mas eu quis dizer…” “mas você não falou…”
- Oferecer opções concretas para a correção
A IA não jogou a bola de volta de forma vaga (“então refaça”). Ela estruturou um caminho para eu mesma poder responder: “É o tom, a estrutura ou o foco?”. Deu um framework para a solução. É a mesma técnica que ensinamos para dar feedback eficaz: em vez de “essa apresentação foi fraca”, tentar “a apresentação poderia ser mais impactante se tivesse mais dados na slide 3 e uma abertura mais forte”.
- Manter o foco no objetivo final – resolver, não ter razão
O único objetivo da IA era entregar o resultado que eu desejava. O ego dela (que não existe!) não estava em jogo. Na liderança, nosso ego muitas vezes sequestra a conversa. Preferimos ter razão a ter resultados. A IA me lembrou que vitórias em discussões são pirraças; a única vitória que importa é o problema resolvido.
O verdadeiro insight: podemos aprender com IA
Aqui está a ironia mais profunda: programamos as IAs para serem comunicadores ideais: polidos, pacientes, focados em soluções e imunes a ataques de emoção negativa. Em outras palavras, programamos nelas as competências de inteligência emocional, comunicação assertiva e gestão de conflitos que tanto custamos a desenvolver em nós mesmos.
Ou seja, podemos aprender com essa tecnologia muito mais do que pensamos. Para isso, basta olhar com atenção e disposição.
A minha “briga” foi, na verdade, um espelho embaçado me mostrando minhas próprias falhas. Mostrou como, no calor do momento, podemos regredir a comportamentos primitivos (acusar, generalizar, ser vago) enquanto esperamos que nossa equipe responda com maturidade absoluta.
Conclusão (e meu mea culpa digital)
A próxima vez que eu for dar um feedback difícil, vou me lembrar da minha “briga” com a IA. Vou respirar, engolir o “isso está tudo errado!” e tentar a versão humana (e infinitamente mais eficaz) do seu algoritmo:
“Obrigado pelo trabalho. Para alinharmos melhor às minhas necessidades, vamos ajustar alguns pontos? Especificamente no item 2, precisamos de mais foco em X, e no tom, buscar algo mais Y. Pode reformular por aí?”
Parece familiar? É o mesmo conteúdo do meu grito inicial, só que processado pelo “algoritmo” da liderança eficaz. A IA não inventou isso. Ela só me mostrou – sem piedade – que eu sabia a teoria, mas havia esquecido de aplicá-la.
No fim das contas, o maior desafio da liderança na era das máquinas inteligentes nem é tanto aprender a comandá-las, mas aprender a imitá-las naquilo que elas têm de mais humano.
E na sua organização, as conversas difíceis soam mais como meu primeiro grito ou como a resposta calma da IA? Nos treinamentos da Mentorei, transformamos essa teoria em prática, para que seus líderes gerenciem conflitos não como máquinas, mas como humanos na sua melhor essência.
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